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Brasília, contradições de uma cidade nova

23 de setembro de 2013


Hoje tive o prazer de existir "Plano B" - Um documentário sobre o documentário Brasília, contradições de uma cidade nova, gravado na década de 60, sobre a construção de Brasília e as desigualdades sociais. Excelente produção! #Extasiado #46FestivaldeCinemadeBrasília #2013

PLANO B - Trailer Busca from getsemane silva on Vimeo.

Trailler Plano B 

"Ao expelir de seu seio os homens humildes que a construíram e os que a ela ainda hoje acorrem, Brasília encarna o conflito básico da arte brasileira, fora do alcance da maioria do povo. O plano dos arquitetos propôs uma cidade justa, sem discriminações sociais, mas, à medida que o plano se tornava realidade, os problemas cresciam para além das fronteiras urbanas em que se procurava conter. Na verdade são problemas nacionais, de todas as cidades brasileiras, que nesta, generosamente concebida, se revelam com insuportável clareza. É preciso mudar essa realidade, para que no rosto do povo se descubra quanto uma cidade pode ser bela".



Brasília, contradições de uma cidade nova (1967)
Documentário, 22 min.
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, Luis Saia, Jean-Claude Bernadet
Narração: K.M. Ekstein






"Os nossos braços foi que teve que derrubar essa mata, fizemos fogo, faziam fogueiras aqui, pra poder conseguir armar os barracos, ficou pessoas aqui no relento, uma época fria, que morreu crianças aqui de frio, e morreu adulto também."

A Filmes do Serro, produtora dos filmes do Joaquim Pedro, sempre cuidadosa, providenciou fotos e um trecho do filme disponíveis na página do filme, e também o texto do Jean-Claude Bernadet.
 
Há um texto de uma blogueira também muito interessante sobre o filme, que vale a pena conferir.
 

Relação teoria e prática

12 de setembro de 2013




Teoria e prática andam juntas.
Mas às vezes elas brigam.
Não conseguem se aproximar.
Ficam longe.
Demoram a se encontrar.
Mas, não tarda, voltam a ser amigas.
Não importa o que uma vez.
Elas aprenderam algo:
Que uma precisa da outra para sobreviver.

Escola em ciclos ou ciclos na escola?

27 de agosto de 2013


Benigna Maria de Freitas Villas Boas

A organização do trabalho escolar em forma de ciclos teve início no Brasil de forma tímida. Um ou mais ciclos têm convivido com o regime seriado em uma mesma escola. Este é o caso do Distrito Federal, onde o Bloco Inicial de Alfabetização – BIA – constituído pelos três primeiros anos do ensino fundamental, funciona desde 2005 em escolas convencionais. O que se observa é que o BIA nem sempre é bem compreendido, principalmente pelo fato de as crianças não serem reprovadas enquanto o cursam.

Quando se discute o tema ciclos ou blocos com professores e outros profissionais da educação, a primeira inquietação se relaciona à avaliação. É comum ouvirem-se as perguntas: e a reprovação como fica? Quando o estudante poderá ser reprovado? Tornou-se natural aceitar que à escola cabe reprovar o estudante que demonstra não ter aprendido ou que não alcançou a nota mínima. Ainda não se concebe a escola como local de aprendizagem e não de reprovação. Assim entendida, não lhe cabe selecionar grupos: o dos estudantes que aprendem e são aprovados e o dos que não aprendem e são reprovados. A palavra-chave é aprendizagem. Reprovação é uma palavra fora de foco.

A escola não-seriada, isto é, que organiza seu trabalho por meio de ciclos e abandona as séries, assume compromisso com as aprendizagens de todos os estudantes. Esse formato escolar não aceita a reprovação dentro dos ciclos nem na passagem de um a outro. Não faz sentido eliminar a reprovação no interior dos ciclos e adotá-la quando o estudante se movimenta de um a outro. Qual seria a justificativa para isso? Parece ser aceitável que o estudante vá acumulando necessidades de aprendizagem e que, ao final de um determinado período, ele seja considerado incapaz de continuar seu percurso. É esta a escola que nossos estudantes merecem ter? Esta escola é séria e justa?

Quando toda a escola desenvolve seu trabalho de forma não-seriada, o corpo docente e as equipes gestora e pedagógica atuam em função dos mesmos objetivos. O ciclo ou bloco deixa de ser um apêndice: torna-se o eixo norteador de todo o trabalho. Também os pais parecem compreender melhor o processo. Estes, sim, merecem atenção especial de toda a equipe escolar. Afinal de contas, passaram pela escola seriada e acostumaram-se à avaliação classificatória, punitiva e excludente. De modo geral, não veem a possibilidade de se ter outro formato de escola.

A escola em ciclos tem mais chance de congregar os professores, pais e estudantes em torno dos seus objetivos do que a convivência, na mesma escola, de ciclos e da seriação.
No caso do DF, que implantou o BIA em 2005, é hora de se criarem os blocos seguintes para que se constitua a verdadeira escola em ciclos.


Comentários do Blogueiro 

Encontrei esse texto como indicação de leitura da postagem A propósito da metodologia de ciclos na educação pública do Distrito Federal, no Blog do Washington Dourado. Reproduzo aqui, pois gostei das ideias da profa. Benigna. Penso que é um modelo de educação e de ensino-aprendizagem a se pensar e até em se almejar. Mas, há muitos desafios e obstáculos a serem superados para sua efetiva implantação.