Seminário de Jovens LGBT's de Santa Maria-DF

28 de maio de 2010


Amanhã, 29 de maio de 2010, ocorrerá o 1º Seminário de Jovens LGBT's de Santa Maria-DF, na Creche de Gotinha de Luz, área especial 217.

O seminário ocorrerá na Associação de Produção Artesanal de Santa Maria-DF, e está sendo organizado pela equipe de assessores da Dep. Jaqueline Roriz e Celina Leão.

"O evento marcará o início do projeto Despertar da Cidadania, que oferecerá oficinas de hair design, teatro e dança para aquele público. O evento ocorre a partir das 9h, na Creche Gotinha de Luz (Área Especial 217), em Santa Maria Norte.

Dentre os palestrantes estão representantes do governo federal e profissionais de saúde. As inscrições podem ser feitas pelos telefones 8471-2799 e 8441-0381 ou na Associação de Produção Artesanal de Santa Maria (QC 01, Bloco D, Conjunto H, Setor Central).

Veja toda a Programação do I Seminário de Jovens LGBT da Cidade de Santa Maria -DF

O início da programação será as 8 horas da mamnhã com um luxuoso café da manhã oferecido por Saulo Ponce Buffet, estãos sendo confeccionadas ecobeg para cada participante com o material que será utilizado no seminário".

Fonte: Gay1

I Curso de Extensão em Capacitação de Tutores em Educação a Distância em Direitos Humanos e Diversidade Sexual

A Coordenadoria de Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, da Secretaria Especial de Direitos Humanos irá promover o I Curso de Extensão em Capacitação de Tutores em Educação a Distância em Direitos Humanos e Diversidade Sexual.

As inscrições deverão ser feitas até o dia 4 de junho.

O curso visa promover o debate sobre a educação como um direito fundamental, que precisa ser garantido a todos e todas sem qualquer distinção, promovendo a cidadania, a igualdade de direitos e o respeito à diversidade sociocultural, étnicarracial, etária e geracional, de gênero e orientação afetivo-sexual e às pessoas com necessidades especiais.

A formação e a qualificação de professores para a inserção dos temas da diversidade têm como uma de suas atribuições promover, transversalmente ao currículo escolar, temas como os direitos humanos, a educação ambiental, a diversidade étnico-racial e a demandas específicas de indígenas, afro-brasileiros, pessoas com necessidades especiais, questões de gênero e diversidade de orientação afetivo-sexual, no sentido de garantir a efetividade do direito à educação a todas e todos e estabelecer políticas e mecanismos de participação e controle social que assegurem aos grupos historicamente desfavorecidos condições para sua emancipação e afirmação cidadã.

O curso de formação continuada a distância, objeto dessa proposta, envolve formação, distribuída em módulos temáticos que abrangem um largo espectro dos temas da diversidade.

FONTE: Somos

Edital de Concurso para Orientadores Educacionais e Professores do DF deve sair no início de maio

27 de abril de 2010

Suspeita-se que a Secretaria de Educação irá lançar até o início de maio o edital para a realização de concurso público para professores e orientadores educacionais, uma reivindicação da categoria. A informação é da secretária de Educação, Eunice Santos, que se reuniu na manhã desta terça, 20, com a comissão de negociação do Sinpro. Neste encontro a paralisação do dia 16 de março foi negociada e as escolas já podem definir a reposição do dia letivo.


Já a reposição das horas não trabalhadas na compactação de horário do dia 15 de abril ainda está em processo de negociação. A orientação é de que o (a) professor (a) assine o ponto com as horas que efetivamente trabalhou naquele dia.

Ainda a respeito do concurso, ela adiantou que a empresa responsável pela organização será a Funiversa e há a possibilidade de que na prova de títulos possa ser incluído o tempo de trabalho como contrato temporário. Ela informou ainda que enviará à Câmara Legislativa projeto que altera as regras de interstício do contrato temporário, especificamente para permitir que contratos temporários que já estão trabalhando possam participar do próximo processo de seleção.

A secretária afirmou que as progressões estão atrasadas por conta do sistema de informática, mas se comprometeu a realizar esforços para regularizar a situação.

Comissão Paritária – Será instituída comissão paritária do Sinpro e Secretaria para discutir a montagem de um calendário para o gozo da licença-prêmio e para discutir a portaria 255/08, no que se refere à redução de carga horária após 20 anos de regência de classe, benefício que conquistamos com o nosso Plano de Carreira.

Pauta da campanha – A secretária se comprometeu a intermediar um encontro com o governador, de preferência no dia 27, às 15h, data que a assembleia definiu como dia de entrega da nossa pauta de reivindicações da campanha salarial de 2010/2011.

FONTE: Sinpro-DF

Prorrogadas as inscrições do concurso público para Orientadores Educacionais e Supervisores Pedagógicos de Valparaíso-GO


Estão prorrogadas até o dia 10 de maio de 2010 as inscrições para o concurso público para a Carreira de Orientador/a Educacional e Supervisor/a Pedagógico/a da Prefeitura Municipal de Valparaíso-GO. O salário inicial é de R$ 1.345,70 para ambos os cargos, com jornada de trabalho de 40h. Estão previstas 7 vagas para cada cargo.


Além dos conhecimentos básicos, a prova exigirá conhecimentos específicos quais sejam:

Conhecimento específico na área de atuação. Conhecimentos que condizem com a formação exigida no cargo. O significado histórico-social da Orientação Educacional: Origem e trajetória da O E no Brasil, Dimensões Filosóficas, Políticas, Sociais e Pedagógicas, Tendências e desafios atuais da Orientação Educacional. Campos de atuação e a prática do Orientador Educacional: A função do Orientador educacional, A Orientação Educacional em face à Legislação Educacional de País, A Orientação Educacional e as Formas Alternativas da Educação. A Orientação Educacional e a revolução teórica-prática da educação: A OE e a organização escolar, Ação integrada da OE, Nova dimensão da OE. A prática da supervisão escolar: reflexão e análise com base em princípios teóricos. A ação supervisora nos níveis e nas modalidades de ensino: educação infantil, ensino fundamental, educação especial e educação de jovens e adultos. Laboratórios de aprendizagens e brinquedoteca. O supervisor escolar no cotidiano da escola: reuniões, calendário escolar, conselho de classe, organização das turmas, entrevistas, formação continuada, questões de planejamento( PPP, planos de estudos, plano de trabalho e estudos de recuperação), avaliação,registros. Projeto de supervisão escolar para o ensino fundamental e educação infantil.

As inscrições custam R$ 70,00 e podem ser feitas no site do IBEG

As provas estão previstas para o dia 01 de agosto de 2010 das 14h às 17h.

Homofobia no Governo Arruda afasta Diretor de Escola Pública

15 de janeiro de 2010




A comunidade do Vale do Amanhecer está perplexa com a exoneração do Professor Marcus Maciel do cargo de Diretor do C.E.F. Mestre D’Armas.

Depois de acirrada disputa eleitoral em novembro de 2008, com três outras equipes, a Equipe do professor Marcus Maciel foi eleita com ampla maioria de votos. Desde o início do ano de 2008, o professor Marcus e sua Equipe vinham desenvolvendo excelente trabalho, inclusive com a melhora da auto-estima das crianças e adolescentes que se encontravam em defasagem etária e pedagógica.

Os pais completamente revoltados com a decisão da Secretaria de Educação que exonerou o Professor Marcus Maciel e sua Equipe estão organizando um ato nesta sexta-feira (15/01/2010), às dez horas da manhã, em frente a escola e querem uma explicação das autoridades.

Maria Kauã, mãe de um estudante do CEF Mestre D’Armas e moradora da comunidade do Vale do Amanhecer há mais de 17 anos: “isso é perseguição pura porque naquela escola nunca filho de preto nem gay tinha vez, o Diretor foi exonerado porque é gay assumido e isso incomodava a Regional de Ensino e a Secretaria de Educação”, afirmou em tom de desabafo.

“O Diretor trata nossos filhos com dedicação, trazendo todos os programas que o Governador Arruda anunciava na televisão, fazendo uma escola pública de qualidade, e agora fomos surpreendidos com essa exoneração do Diretor nas férias”, relata Edneuza Santos, que possui três filhos no CEF Mestre D’Armas.

“O ritmo de trabalho do Diretor Marcus incomodava aquelas professoras que não estavam acostumadas com tantas atividades. Nesses dois anos o Diretor Marcus trouxe para o Vale do Amanhecer a ‘Educação Integral’, ‘Ciência em Foco’, ‘Hora Cidadã’, ‘abcDF’, ‘Escola Aberta’, os Programas do Instituto Ayrton Senna: ‘Acelera DF’ e ‘Se Liga’, o Projeto da Natura ‘Crer para Ver’, e ainda uma Sala de Leitura do Projeto Leitura para Todos do Instituto Oldemburg”, conta entusiasmada Marilda Gomes, mãe de uma estudante da quarta série, outra conquista do professor Marcus Maciel, pois não havia tal série, mesmo tratando-se de Centro de Ensino Fundamental.

Portanto, não há motivo aparente para a exoneração do diretor eleito Marcus Maciel, a não ser de prática de homofobia, pois houve uma série de denúncias de alguns desavisados, inclusive colocando a orientação sexual do diretor, homossexual militante, como motivo para não ser diretor de escola de crianças, pois nessa visão preconceituosa e ignorante o diretor iria influenciar na orientação sexual dos estudantes, um equívoco e uma atitude de discriminação clara.

Debatendo Educação a Distância

24 de julho de 2009


A orientação educacional é um processo sistemático que visa também debater sobre vários assuntos dentro da escola com os/as estudantes, pais, mães e professores/as
Nesse sentido, a Educação a Distância (EAD), como uma modalidade educacional mediada pelo uso de tecnologias da informação e da comunicação, também é um desses temas que não podem ser desconsiderados pela Orientação Educacional.
Considerando que a educação, em linhas gerais, é um processo por qual toda a sociedade vive e constrói, a educação a distância por meio da internet faz-se presente, não só em processos “formais” (como cursos de formação), mas também através das diversas redes sociais “informais”, como Orkut, MSN, entre outros.
“Aprendemos” nesses espaços, mas também “ensinamos”, quando interagimos, tiramos dúvidas de noss@s colegas quanto à navegação ou uso de alguma ferramenta, postamos e/ou compartilhamos vídeos, textos, fotos, etc.
A EAD, nessa visão ampla, é algo que todo mundo pratica, não só na internet, mas também quando escrevemos e/ou lemos uma carta com informações que precisam ser compreendidas, quando assistimos o noticiário na TV, quando ouvimos o rádio, quando lemos um texto no jornal ou livro. Em todas essas atividades estamos “aprendendo” a distância, mesmo que não pareça.
Acontece que atualmente vimos o crescimento da EAD via internet. Essa EAD também é algo que quase todo mundo pratica (com ressalva aqueles/as que não têm acesso ao computador junto com a internet). A EAD online está aí como uma forma alternativa de construir e compartilhar conhecimentos e têm sido usada também como recurso de apoio as atividades/cursos presenciais. Apesar do seu caráter ainda marginal e envolto a preconceitos, é importante considerar a necessidade de olhar a EAD com outros olhos e a buscar visualizar as vantagens dessa modalidade educacional.
Contudo, é preciso saber que informação não garante o conhecimento. É preciso trabalhar com as informações, buscando dissecá-las, avaliá-las, desdobrá-las e desenvolvê-las. Essa atividade exige pesquisa e autonomia. É preciso pesquisar e buscar ter uma visão “crítica” das informações encontradas. Que tal começarmos a fazer isso com todas as informações que recebemos cotidianamente?
O vídeo abaixo é uma entrevista com o filófoso da informação Pierre Lévy sobre a educação a distância retirado no youtube.com

Educação não é missão

28 de junho de 2009

Olá Car@s Internautas!

Há algum tempo venho me aproximando de argumentos que postulam que devemos abandonar as metanarrativas educacionais. Quem desenvolveu o raciocínio sobre isso é Tomaz Tadeu da Silva, um dos teóricos contemporâneos de currículo. As metanarrativas são usadas para construir idéias "idealizantes", "normativas", "essencialistas", "transcendentais" da educação. Elas pretendem ser "universais", ou seja, valer para todo mundo e para todos os lugares. As metanarrativas não dão conta da complexidade do processo educacional, diz Tomaz Tadeu da Silva. Analisando essa questão, me lembro da matéria da Revista Nova Escola sobre o “Blá Blá Blá da Educação”. Na reportagem, ficou claro que os professores utilizam "jargões" que nem ao menos sabem o que realmente significam. Só se atentam para o lado positivo desses "jargões" e esquecem de aprender sobre as limitações desses discursos. Hoje, li uma matéria que se assemelha com o ponto de vista que estou desenvolvendo. Socializo aqui no Blog para visibilizar outros “olhares”.


17/06/2009

EDUCAÇÃO NÃO É MISSÃO — por Ademir Luiz


O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”, para identificá-lo em sua forma mais avançada. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem ler, mas ensinam a ler. Pessoas que mal sabem contar, mas ensinam a contar;



É muito comum escutarmos de certos pedagogos, teóricos do ensino, secretários de educação, proprietários de colégios particulares e outras pessoas que, em princípio entendem do tema, que o professor é imbuído da “missão” de ensinar. Para eles ser professor é, acima de tudo, um “sacerdócio”. Mesmo a recente substituição da palavra “professor” pela palavra “educador” aconteceu em função deste discurso politicamente correto, que é quase hegemônico. Discurso repetido a exaustão nas universidades, em livros, teses, entrevistas, festinhas escolares, reuniões de pais, reuniões pedagógicas etc, etc e etc. Contudo, apesar de todas as boas intenções embutidas, tal perspectiva é frágil. Não se sustenta, não resiste a uma análise lógica apurada. Na verdade, qualquer pessoa um pouco mais perspicaz é capaz de perceber que ela é nociva ao desenvolvimento da profissão. Acaba por sabotar a própria condição de profissional do professor.

O “discurso missionário” dilui o caráter intelectual inerente à formação acadêmica do professor. O que resulta em uma filosofia pedagógica frouxa que tende a valorizar mais a “vocação para ensinar” do que o “preparo para ensinar”. O místico em detrimento do pragmático. Senão vejamos: termos como “missão” e “sacerdócio” automaticamente chamam outros como “abnegação” e “sacrifício”. Vista dessa forma a educação deixa de ser uma atividade laica para ganhar ares quase que religiosos. O professor deixa de ser um profissional que estudou muito para poder transmitir e produzir conhecimento, para ser uma espécie de emissário de algo maior do que ele, uma força superior transcendente para a qual ele cumpre uma “missão” em “sacerdócio”. E, como se sabe, na tradição Ocidental, prática religiosa é sinônimo de sacrifício pessoal. Sacrifícios que variam em grau e intensidade: podem ir desde não comer carne vermelha em um dia específico do ano até a auto-imolação. Daí a razão pela qual, ultimamente, se tem aceitado com tanta facilidade que professores sejam ameaçados, ofendidos ou espancados por alunos. Daí a razão pela qual, ultimamente, se tem culpado única e exclusivamente o professor quando o aluno não aprende. Daí a razão pelo qual, ultimamente, se especula tanto sobre levar a informática para a escola quando na mesma escola ainda faltam livros didáticos e fotocópias é um luxo. Sendo agredido, reprovando um aluno ou trabalhando em condições precárias, é sempre o professor que falhou, pregam os “especialistas”. Ofício visto como sacrifício.

Em meio a esse ambiente moral, falar em interesses pessoais (quiçá lucro) ganha ares de mesquinharia. É digno de vergonha confessar que dá aulas apenas para se sustentar, porque é o que sabe fazer, porque gosta ou simplesmente porque é a única profissão que tem duas férias por ano, como dizia César Lattes. Exigem-se sempre ideais elevados. Não basta ser professor, tem que participar. Educação não vem mais de casa, deve ser adquirida na escola. Professor, que em dias remotos foi chamado respeitosamente de mestre, tornou-se “educador”.

E o moderno educador deve ser ao mesmo tempo pai, mãe, psicólogo, catequista, enfermeiro, monitor de computação, ideólogo, recreador e agente social do corpo discente ao qual serve. Ensinar e cobrar o que se ensinou tornou-se sinônimo de educação retrógrada. A escola, que antes servia para transmitir às novas gerações a tradição cultural da humanidade, tornou-se uma espécie de shopping. Entra de tudo: de danças eróticas até rap com letras machistas e violentas. Aluno não é mais aluno: é educando, pois, como se sabe, a palavra “aluno” significa “sem luz”. Vê-los como seres “sem luz” é inadmissível e não louvar sua cultura pessoal (quase sempre televisiva e de gueto) é fascismo. Ensinar alta cultura e valorizar a erudição é entendido como deplorável elitismo fora da realidade. Diante dele muitos “especialistas” costumam retrucar sarcasticamente: “e para que serve para o educando saber quem foi Shakespeare?”. Como responder a isto? Afinal, não foi profetizado que “os simples herdarão a Terra”?

De fato, já estão herdando (Rei Lear?). Já vi diversos professores defendendo que normalistas alfabetizadoras deveriam ser mais bem remuneradas do que pós-doutores que passaram décadas estudando para chegar aonde chegaram. A justificativa seria a de que ensinar a ler e escrever é mais “nobre” do que tagarelar em uma cátedra. Se é ou não é pouco importa. O fato é que mais uma vez, passionalmente, sem reflexão, se desdenha os espinhos da teoria em função da ação missionária direta. Ao mesmo tempo, curiosamente, é interessante notar que não é comum entre professores universitários assumirem o “discurso missionário” no trato com seus alunos de graduação. Ele é difundido, sobretudo, no ensino primário, fundamental e médio. Ou seja: entre aqueles que recebem a teoria, não entre aqueles que a produzem. Exceção feita, claro, para certos catedráticos em didática. Sendo nesses casos impossível saber até que ponto trata-se de mera retórica. Até porque boa parte deles jamais lecionou para as séries sobre as quais teoriza.

O “discurso missionário” é tão forte que basta observar o resultado de concursos do tipo “Professor do Ano” ou “Professor Nota 10”, para identificá-lo em sua forma mais avançada. Não raras vezes os vencedores são profissionais pouco preparados. Pessoas que mal sabem ler, mas ensinam a ler. Pessoas que mal sabem contar, mas ensinam a contar. Em contrapartida, esses “educadores modelo” enfrentam todo tipo de obstáculo para cumprir sua “missão”. Às vezes, acordam às quatro horas da madrugada para fazerem uma viagem de barco de três horas que os levarão até um casebre perdido na floresta amazônica, onde darão aulas para cinco ou seis crianças da região. Sem querer tirar o mérito inegável destas ações, é preciso reconhecer que nesses casos se premia o sacrifício, não a competência propriamente dita; que, sim, pode até existir, mas é irrelevante diante do exemplo de abnegação que representam.

Apesar de ter ganhado força no mundo pós-moderno, o “discurso missionário” está entranhado em nossas raízes culturais há séculos. Por exemplo: praticamente todo manual de filosofia desdenha a contribuição dos sofistas gregos, apontando como um de seus principais vícios o fato de que cobravam para ensinar. Muitas vezes não passam de notas de rodapé. Só aparecem para servir de contraponto à figura gigantesca de Sócrates, o pensador humilde e corajoso que ensinava de graça e que morreu para defender seus princípios. A célebre frase “tudo que sei é que nada sei”, uma das sentenças mais mal compreendidas de todos os tempos, sempre citada como exemplo de ideal pedagógico, joga por terra toda a obra conjunta dos “gananciosos” sofistas. Um grande equívoco, pois, como escreveu o filosofo Gonçalo Armijos Palácios, “eles foram injustiçados pelo ensino academicista e não receberam o reconhecimento devido”.

Na Idade Média, durante o nascimento das universidades, quando mestres clérigos passaram a ministrar um ensino desligado do contexto monástico, para burgueses, foram duramente atacados. O futuro santo Bernardo de Claraval, o poderoso abade de Cister, foi um dos críticos mais ferozes da nova pedagogia. Acusava seus defensores de serem meros “vendedores de palavras”, sacrílegos culpados de oferecer para quem quiser pagar a “ciência que só a Deus pertence”. Muita gente foi parar na fogueira por conta disto.

Os séculos seguintes apagaram as fogueiras e fizeram da educação um direito de todo cidadão. Educar as massas tornou-se uma “missão” civilizadora que deveria ser levada a cabo a qualquer custo, mesmo que o preço fosse a vulgarização do conhecimento e o nivelamento por baixo dos envolvidos no processo educacional. Tanto dos mestres quanto dos alunos. Dessa forma, o que ocorreu não foi uma vitória de nenhum dos lados e sim um armistício, armistício que gerou uma aliança. As duas perspectivas se fundiram. Infelizmente, o que poderia criar um edificante caminho do meio ao estilo budista acabou por degenerar-se e transformou o professor em um estereótipo sem nuances.

Hoje o “educador” é infantilizado em seu próprio ambiente de trabalho. É constrangido a participar de ridículas dinâmicas de grupo, brincando de dança da cadeira, trocando fitas coloridas, pulando corda ou falando com fósforos acesos na mão. Vê-se levado a ler páginas e mais páginas de metáforas tão bonitinhas quanto inúteis sobre “alunos-sementinhas que crescem com a água do conhecimento” ou sobre “alunos-folhas-ao-vento que devemos recolher e dar direção”. Nesse espírito, em Goiânia, por determinação da Rede Municipal de Ensino, atualmente, o “educador” é obrigado a colorir quadradinhos que ilustrem o rendimento dos alunos, já que pura e simplesmente dar notas é feio, feio, feio!

E o pior é que tais práticas bizarras e alienantes são vendidas pelos “especialistas” como o supra-sumo da modernidade educacional. Quem não se submete é mal visto e tachado de corta-onda, tradicionalista, antigo. O resultado é que, cada vez mais, o necessário abismo cultural entre “educandos” e “educadores” diminui. Ambos cantam as mesmas músicas no chuveiro, assistem às mesmas novelas e votam nos mesmos candidatos no Big Brother.

O professor está se afastando de forma irrecuperável de sua função intelectual. De contestador e crítico da realidade por meio do ensino, entrega-se sem reagir à condição de marionete artificialmente alegre. Se existe de fato uma “missão” a ser cumprida, trata-se de uma missão suicida. E a lavagem cerebral a qual são submetidos os acadêmicos dos cursos de licenciatura por meio do “discurso missionário” levam-nos a se resignar com facilidade excessiva as suas terríveis conseqüências. Perdemos os referenciais. Há tempos que o ideal de professor deixou de ser o genial Aristóteles para tornar-se a professorinha Helena da novela “Carrossel”.

Ademir Luiz é doutor em História e professor da UEG. Autor do romance "Hirudo Medicinallis".